Não sei se o que ditou a minha vida foram as minhas viagens ou se o que ditou as minhas viagens foi a minha vida.
Aos 17 anos, ofereceram-me a primeira grande aventura a comboio pela Europa, com 1000 escudos diários ao longo de um mês, e assim visitei 11 países.
Uma aprendizagem de liberdade e desenrascanço para a qual todos aqueles episódios do MacGyver que devorei me iludiram.
Depois, com o património cultural, aprendi a olhar para edifícios e objetos como pessoas com passado; com a produção de conteúdos e a tradução, procurei as palavras certas para falar com as pessoas; e na gestão comercial, aprendi a fazer pontes entre línguas, culturas e expectativas.
Pelo caminho, para além de Portugal, trabalhei na Chéquia, Polónia, Hungria e Roménia, e vivi em Nápoles, Lecce e Melbourne — cidades que me ensinaram ritmos tão diferentes: o caos vibrante, a doçura do Sul e a vida lá embaixo, inigualável.
E, quase duas décadas depois, quando tudo isso não foi suficiente e parecia não fazer sentido, parei e recomecei, para voltar ao que me move: aprender com as partilhas entre lugares e pessoas.